Criação com IA
Por que o vídeo com IA sai ruim, e o que fazer
Vídeo com IA costuma sair ruim por quatro motivos: o modelo inventa o que a referência não mostra, e o personagem muda; o movimento pedido é grande demais, e o corpo derrete; ninguém decidiu a câmera, e os planos ficam genéricos; ou o modelo não serve para aquele tipo de vídeo. O que resolve: partir de uma imagem aprovada, pedir pouco movimento e descrevê-lo como câmera, testar o mesmo plano em mais de um modelo e cortar na montagem o que escapou. O vídeo bom quase nunca sai da primeira geração. Sai da escolha do que fica.

Quando testei o Kling no Segunda-feira é pra guerreiros, o filme que fiz como case autoral para a Monster Energy Zero Açúcar, os resultados foram péssimos. Em outro projeto, o mesmo Kling animou três fotos da Dobra numa geração cada, sem nenhuma refeita.
A ferramenta era a mesma. O que mudou foi o que eu pedi a ela. Quase sempre é aí que o vídeo com IA dá errado.
Por que o vídeo com IA parece estranho?
Porque cada quadro precisa ser inventado de novo, e o modelo não sabe o que é um corpo. Ele sabe como corpos costumam aparecer. Quando o movimento é comum e curto, isso basta. Quando é longo, rápido ou estranho, aparecem os defeitos de sempre: mãos que se fundem, rosto que muda no meio do giro, objetos que atravessam uns aos outros.
O problema raramente é só o modelo. Costuma ser uma soma: referência fraca, movimento demais, câmera indefinida e ferramenta errada para o trabalho.
Kling ou Seedance?
Depende do ponto de partida.
- No Monster, o ponto de partida era um personagem: um cavaleiro de armadura que anda, senta e vira a cabeça. O Kling ficou muito abaixo do que eu queria entregar. O Seedance 2.5 segurou.
- Na Dobra, o ponto de partida eram fotos já aprovadas. O Kling 2.5 só precisava mover o que já existia: três vídeos de 10 segundos.
Partindo de uma foto pronta, o modelo só precisa mover. Partindo de um personagem, precisa inventar o movimento e manter quem ele é. São trabalhos diferentes, e um modelo pode ser ótimo num e fraco no outro.
Há também uma diferença prática: o Kling 2.5 não gera som, e o Seedance gera.
Gerar a partir do texto ou de uma imagem?
De uma imagem, sempre que der. A imagem resolve antes o que o vídeo erra: rosto, luz, figurino, enquadramento. O vídeo fica só com o movimento.
Os quatro experimentos de vídeo do Laboratório partiram de uma imagem. No Aquário, fiz a cena parada no Seedream 5 Pro, com a pessoa submersa até a testa e a luz da água no rosto. Só depois pedi ao Kling 2.5 que fizesse os peixes nadarem sem quebrar a luz.

Quanto movimento pedir?
Menos do que você quer. E descrito como câmera, não como ação.
No experimento O corredor, o pedido foi um só: a figura parada na porta e a câmera avançando devagar até o rosto. A imagem de origem já tinha câmera e lente escritas, como num set: ARRI Alexa 35, Canon K35 de 35 mm, na altura do quadril, luz de tungstênio. O vídeo só continuou a decisão.
Na Pintura sobre tela, o teste foi o oposto do espetáculo: um gesto pequeno e lento, o pincel encostando na tela. Gesto pequeno dá ao modelo menos chance de errar.
Gerar o filme inteiro de uma vez ou cena por cena?

Os modelos novos já fazem as duas coisas. O Seedance 2.5 gera clipes de até 30 segundos, com cortes dentro do mesmo clipe.
No Monster, gerei o filme em clipes de 30 segundos, cada um com seis planos e cortes secos entre eles, já com parte do som. Houve várias tentativas antes da versão final. Depois, no Remotion, montei o filme com os recortes que achei mais interessantes.
No Laboratório, testei o mesmo recurso no Campo de flores: um quadro inicial e um final, e o Seedance criou novos planos da mesma cena, com cortes e movimentos de câmera, sem perder a pessoa nem a luz.
Gerar tudo junto ajuda na continuidade, porque o modelo vê a sequência inteira. O risco é que um plano ruim estraga o clipe todo. Cena por cena dá mais controle e mais montagem.
O que não vale a pena gerar?
O que precisa ser exato. No Monster, o encerramento de 4 segundos não foi gerado. Montei no Remotion, dentro do Claude Code: um macro de gotas, um corte seco no raio, o cavaleiro recuando e o texto entrando. Os raios e o trovão também foram feitos na montagem.
O mesmo vale para o som. O Seedance entregou parte dele, mas a trilha entrou depois. Fiz duas versões com trilhas diferentes, e numa delas a música começa 3,5 segundos adiantada, para a virada cair no momento certo.
Por isso o filme publicado tem 34 segundos: 30 gerados e 4 montados.
E quando um plano sai ruim?
Três saídas, nesta ordem:
- Cortar. Se o defeito aparece no fim do plano, a montagem tira esses quadros.
- Gerar de novo. Com o mesmo pedido, ou com menos movimento.
- Fazer fora do gerador. Texto, logo, produto e encerramento ficam melhores na montagem.
Corrigir um quadro de vídeo como se corrige uma imagem quase nunca compensa.
Resumo: o que fazer quando o vídeo sai ruim
- Parta de uma imagem aprovada, com luz e enquadramento resolvidos.
- Peça um movimento só, pequeno, e descreva a câmera.
- Se há personagem, use uma referência que mostre os ângulos que a câmera vai ver.
- Teste o mesmo plano em mais de um modelo antes de gerar o resto.
- Escolha o modelo pelo ponto de partida: mover uma foto é diferente de dar vida a um personagem.
- Deixe texto, marca e encerramento para a montagem.
- Corte o que escapou em vez de insistir na geração.
Vídeo com IA não sai ruim por azar. Sai ruim quando a gente pede ao modelo o que ele não tem como saber.
Quem é o personagem, onde está a câmera, quanto dura o gesto. Quanto mais isso está decidido antes, menos o modelo inventa, e mais a montagem tem o que escolher.
Veja o case completo: Segunda-feira é pra guerreiros
Leia também: Como criar um personagem consistente para vídeo com IA · Qual ferramenta de IA usar para imagem e vídeo, na prática
Quer um filme curto para a sua marca? Veja os serviços ou manda o briefing.

