Case autoral, sem cliente e sem marca
Uma campanha dirigida, não gerada
Seis imagens que precisam parecer o mesmo ensaio. O critério visual foi escrito antes da primeira geração, e a parte mais útil do teste está numa regra que eu mesmo escrevi errado.
- Entrega
- Key visual + 6 peças em 1:1, 4:5 e 9:16
- Imagem
- Seedream 5 Pro via Magnific
- Rodadas
- 11 rodadas, 31 imagens, 6 aprovadas
- Ano
- 2026
Quando criança, eu tomava chimarrão com meu avô antes de ir para a escola. A memória foi só o ponto de partida. Tirando a nostalgia, sobrou uma pergunta de campanha: como mostrar uma tradição que passa de uma geração para outra sem que ninguém ensine em voz alta?
Não tem aula, não tem receita escrita. Tem repetição. Você passa anos recebendo a cuia da mão de alguém e um dia faz igual, sem lembrar de ter aprendido.
Também foi uma escolha de repertório. Boa parte dos portfólios de IA gira em torno de café, flores e still life com referência de fora. Chimarrão é brasileiro, pouco explorado, e obriga a resolver produto, textura e pessoas dentro do mesmo sistema visual.
Campanha de seis peças sobre transmissão entre gerações. Mesmo objeto, mesma luz, mesmo ensaio, do primeiro ao último quadro. Assinatura: Histórias que atravessam gerações.Conceito do projeto · autoral
A cuia é a protagonista porque ela prova a ideia sozinha. Não sai boa da loja: é curada, leva semanas para ficar pronta e melhora por décadas de uso. A madeira escurece, a borda gasta no ponto exato onde o lábio encosta. Ela acumula gerações, literalmente. Por isso a peça de abertura não tem ninguém em cena.
Depois dela, a campanha vira uma passagem de mão. Primeiro o mais velho serve e o mais novo recebe. No fim, a cena se inverte.
A mesma cena, invertida


Um dia, a mão que serve é a sua.
Antes da primeira geração, escrevi o critério que toda peça teria que cumprir. A ideia era simples: se a regra está no papel, dá para reprovar uma imagem bonita que não cumpre a regra.
- Luz é regra de física, não de horário: fonte única, quente, baixa e lateral, com sombra densa que ainda segura textura.
- O objeto é o mesmo em todas as peças: mesma cuia, mesma borda gasta, mesma marca de uso.
- A verdade material precisa ser verificável na imagem: erva hidratada, metal sem brilho de fábrica, madeira com poro.
- Pessoas aparecem pela mão, não pelo rosto. Duas idades legíveis no mesmo quadro.
- Toda peça passa por dez linhas de checagem. Reprovou em uma, refaz.
- Papel
- Conceito, direção de arte e produção de imagem
- Formatos
- 1:1, 4:5 e 9:16, mais o key visual em 16:9
- Tipografia
- Aplicada sobre a foto depois. A linha nunca é gerada junto com a imagem, porque é onde o acento em português quebra.
A regra estava errada, não o prompt. Eu tinha escrito na direção de arte que o ponto de contato entre as duas mãos seria o centro do quadro. Isso significa duas mãos entrelaçadas em volta de um objeto pequeno, em macro, que é exatamente a configuração que deforma mão em qualquer modelo de imagem. A composição garantia o defeito. Nenhum ajuste de prompt resolveria: era preciso reescrever a regra.
Aprovei duas peças com mãos deformadas. Avaliei as imagens em miniatura, escala em que o defeito some, e minha lista de checagem não tinha uma linha para mãos. As duas foram reprovadas depois, por outra pessoa olhando. A checagem ganhou a linha que faltava e passou a ser feita em recorte de 100%.
Instrução encurtada é instrução perdida. Nas cenas com pessoas, gastei o prompt descrevendo mãos, idades e postura, e a linguagem de luz e textura encolheu junto. As duas regrediram ao mesmo tempo. Não foi a ferramenta piorando, foi instrução competindo por espaço dentro do mesmo pedido.
A prova, em recorte de 100%


A correção não foi concessão técnica. Separar as mãos, com um vão de ar escuro entre elas, virou direção: o instante antes do contato conta a passagem melhor do que o aperto contava.
As seis peças






Key visual

O que ficou
Critério escrito antes não serve para acertar de primeira. Serve para saber o que reprovar, inclusive quando quem errou foi o próprio critério.
No último projeto com IA que você aprovou, você olhou o resultado no tamanho em que ele vai ser visto, ou no tamanho em que o erro não aparece?
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